Eu e meu pai, aqui em Olímpia, no interior de São Paulo, começamos a reparar em algo que ninguém parecia notar: a quantidade de madeira boa que ia parar no triturador ou virava fogueira. Árvores derrubadas por questão de segurança nas ruas da cidade, remanejamentos urbanos, ou troncos trocados por reflorestamento nas propriedades rurais da região. Madeira madura, de veio bonito, em excelente estado — condenada ao descarte só porque ninguém enxergava valor nela.
Aquilo não fazia sentido pra gente.
Cada tronco daqueles tinha história. Tinha resistido a anos de sol, chuva e vento. Tinha uma textura, um desenho, uma alma que nenhuma máquina consegue imitar. Só faltava alguém disposto a olhar com calma e enxergar o móvel — ou a escultura — que já existia lá dentro, esperando pra sair.
Foi assim que a Toras e Tocos nasceu.
A gente resgata essa madeira que seria perdida e devolve a ela um novo propósito. Mesas, esculturas, peças que carregam as marcas do tempo como quem carrega cicatrizes com orgulho. Um trabalho que é metade ofício, metade escuta — porque é a própria madeira que diz o que quer ser.